Sesc Rio Preto promove bate-papo com Sabrina Fernandes sobre ecossocialismo e novos horizontes civilizatórios

Sesc Rio Preto promove bate-papo com Sabrina Fernandes sobre ecossocialismo e novos horizontes civilizatórios

Com intermediação de Tatiana Basconi, o encontro ocupa a biblioteca da unidade no dia 3, às 19h, e marca o lançamento de “Ecossocialismo: um projeto de civilização”, de Michael Löwy, publicado pelas Edições Sesc

O Sesc Rio Preto recebe, no dia 3 de março, terça-feira, às 19h, na Biblioteca da unidade, o bate-papo de lançamento do livro Ecossocialismo: um projeto de civilização, com a participação da socióloga, economista e professora Sabrina Fernandes. Ela abordará os principais eixos da obra e conduzirá o diálogo com o público a partir das reflexões propostas pelo autor.

A atividade conta com intermediação da professora Tatiana Basconi e insere o tema no debate público local, ampliando a discussão sobre alternativas políticas, sociais e ambientais diante dos desafios contemporâneos. Doutora em Sociologia e pesquisadora com formação em Economia Política, Sabrina Fernandes atua nas áreas de ecologia política e transições justas. Integrante, ao lado de Michael Löwy, da Rede Global Ecossocialista, ela dialoga diretamente com o campo teórico que sustenta a obra, articulando pensamento crítico e ação coletiva.

Sociólogo e filósofo marxista franco-brasileiro, Löwy apresenta a proposta ecossocialista como alternativa à devastação ambiental e, ao mesmo tempo, às injustiças econômicas e sociais provocadas pelo sistema capitalista. Com linguagem acessível e argumentos contundentes, o autor articula teoria crítica, história das ideias e experiências concretas de luta, oferecendo ao leitor um panorama abrangente sobre o ecossocialismo como projeto político e civilizacional.

A obra se insere ainda em um contexto de ação global, em que jovens, mulheres, populações marginalizadas e representantes de movimentos sociais vêm protagonizando ações de enfrentamento ao colonialismo e ao colapso climático. Löwy dialoga com autores como Karl Marx, Walter Benjamin e William Morris e destaca a atuação de personalidades como Greta Thunberg e o recém-falecido Papa Francisco, além de homenagear ativistas que tombaram na luta pelos direitos de ecossistemas e das pessoas que neles habitam, como Chico Mendes, Dorothy Stang e Berta Cáceres.

Crise climática: sintoma limítrofe do modo de produção capitalista

Em Ecossocialismo: um projeto de civilização, o autor reforça que os impactos ambientais não podem ser dissociados das desigualdades sociais, da instabilidade política e da lógica econômica que rege o sistema. A destruição da natureza, nesse contexto, é consequência direta de um modelo que prioriza o lucro e o crescimento ilimitado, mesmo diante de recursos finitos e de populações vulneráveis.

Ao expor diferentes dimensões da crise — climática, social, econômica e política —, Löwy sustenta que não há saída possível dentro dos limites do capitalismo. As soluções propostas pelo mercado, como compensações de carbono e promessas de neutralidade de emissões, são vistas como paliativos que ignoram a raiz do problema. Enfrentar a crise exige, portanto, uma mudança estrutural, com novos valores, novas formas de produção e uma reorganização profunda das relações entre sociedade e natureza.

Ao desmontar, com precisão analítica, as promessas do chamado “capitalismo verde”, o autor desmistifica a ideia de que o mercado pode resolver a crise climática. Para tanto, demonstra que as elites econômicas e políticas, mesmo quando reconhecem a gravidade da crise, se limitam a medidas cosméticas. A lógica do lucro e da expansão ilimitada é incompatível com a preservação da vida.

Ecossocialismo, um devir civilizacional

Michael Löwy propõe uma reorganização da economia com base em critérios sociais e ecológicos, e não na lógica do lucro. Isso envolve uma planificação democrática, com participação popular nas decisões sobre o que produzir, como produzir e para quem. A ideia é substituir o mercado como regulador central por mecanismos coletivos que priorizem o bem-estar e a preservação social e ambiental.

Entre as ações concretas está o chamado decrescimento seletivo: reduzir ou eliminar setores nocivos, como a indústria armamentista, o agronegócio predatório e a publicidade invasiva, enquanto se fortalecem áreas essenciais como saúde, educação, transporte público e agricultura orgânica. O objetivo é romper com o produtivismo e o consumismo, sem renunciar à qualidade de vida.

Löwy também defende uma mudança cultural profunda, com novos valores e formas de viver. O ecossocialismo propõe desacelerar o ritmo da vida, valorizar o tempo livre, a cooperação e o vínculo entre as pessoas e a natureza. Mais do que um modelo econômico, trata-se de uma alternativa civilizacional que busca reconstruir a relação entre sociedade e meio ambiente.

“Não se pode prever o futuro, exceto em termos condicionais: na ausência de uma transformação ecossocialista, de uma mudança radical do paradigma civilizacional, a lógica do capitalismo conduzirá o planeta a catástrofes ecológicas dramáticas, ameaçando a saúde e a vida de milhares de milhões de seres humanos; talvez mesmo a sobrevivência da nossa espécie”, comenta Löwy no livro.



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