Janeiro Branco amplia debate sobre saúde mental na infância e adolescência

 Janeiro Branco amplia debate sobre saúde mental na infância e adolescência

Pediatra Gabriela Marcatto afirma que campanha nacional chama atenção para a importância da prevenção, do acolhimento e do diagnóstico precoce de transtornos emocionais entre crianças e adolescentes

Tradicionalmente associada à vida adulta, a saúde mental precisa ser discutida cada vez mais cedo. Durante o Janeiro Branco, campanha nacional dedicada à promoção do bem-estar emocional, especialistas reforçam que crianças e adolescentes também devem estar no centro desse debate. A infância e a adolescência são fases decisivas para o desenvolvimento emocional e comportamental, e ignorar sinais de sofrimento psicológico nesse período pode trazer impactos duradouros para a vida adulta.

A saúde mental na infância está relacionada à forma como a criança reconhece, expressa e lida com emoções, além da maneira como enfrenta frustrações, mudanças e desafios do cotidiano. Ansiedade, tristeza persistente, dificuldades de comportamento e alterações emocionais podem surgir ainda nos primeiros anos de vida. Estudos mostram que uma parcela significativa dos transtornos mentais tem início antes dos 15 anos, o que torna a identificação precoce e a prevenção estratégias fundamentais.

Segundo a pediatra Gabriela Marcatto, é preciso compreender que crianças e adolescentes não são adultos em miniatura. “Eles vivenciam emoções intensas, mas nem sempre conseguem explicar o que estão sentindo. Por isso, o papel da família é essencial para perceber mudanças de comportamento e oferecer acolhimento”, explica. Qualquer criança ou adolescente pode apresentar sofrimento emocional em algum momento, e nem toda dificuldade representa um transtorno mental. Ainda assim, sinais persistentes devem ser observados com atenção e avaliados por profissionais capacitados, sempre levando em conta a fase de desenvolvimento e o contexto de vida.

Entre os principais sinais de alerta estão irritabilidade frequente, choro excessivo, isolamento social, agressividade, dificuldade de concentração, queda no rendimento escolar, alterações no sono e na alimentação, além de atrasos no desenvolvimento da fala ou da motricidade. Em crianças menores, o sofrimento emocional costuma se manifestar também por meio de sintomas físicos, como dores recorrentes, irritabilidade intensa ou dificuldades para dormir.

A prevenção começa dentro de casa, por meio do diálogo e do fortalecimento do vínculo familiar. Conversar de forma simples, ouvir sem julgamentos e validar os sentimentos são atitudes que ajudam a criança a desenvolver segurança emocional e autoestima. “Ensinar que emoções como tristeza, raiva e frustração fazem parte da vida é um passo importante para que a criança aprenda a lidar com o que sente de maneira saudável”, orienta Gabriela. Rotina organizada, sono de qualidade, alimentação equilibrada, atividades físicas e tempo para brincar também contribuem diretamente para a saúde mental.

Quando o sofrimento emocional passa a interferir na rotina, nos relacionamentos ou no aprendizado, a busca por apoio profissional se torna necessária. O acompanhamento pode envolver psicoterapia, orientação à família e, em casos específicos, uso de medicação, sempre após avaliação individualizada. A maioria dos quadros na infância é transitória e apresenta melhora com ajustes no ambiente familiar e escolar, especialmente quando o cuidado começa cedo.

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Sobre a Dra. Gabriela Marcatto
Médica formada pela Universidade Brasil, com residência em Pediatria pela Famerp (Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto), possui título de especialista concedido pela Sociedade Brasileira de Pediatria. Atua também como preceptora dos alunos do 5º e 6º anos do curso de medicina da Faceres. Atende crianças e adolescentes na clínica Amorir, localizada no Georgina Business Park, em São José do Rio Preto, em um ambiente pensado para acolher famílias com cuidado, escuta e atenção integral à saúde infantil.



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