Rio Preto se transforma em palco com adaptações de espetáculos para rua no FIT 2026
Festival leva espetáculos para ruas, praças e espaços públicos, ampliando o acesso às artes cênicas e aproximando a programação do cotidiano da população
Durante o Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto (FIT), a cidade deixa de ser apenas cenário para se tornar protagonista. Além dos teatros, a programação ocupa praças, centros culturais, parques e outros espaços públicos, transformando diferentes regiões em palcos para apresentações e encontros entre artistas e público.
Em sua edição de 2026, o festival reforça a proposta de descentralizar as atividades e ampliar o acesso à cultura, levando espetáculos a locais que fazem parte do cotidiano da população. A iniciativa fortalece a relação entre as artes cênicas e a cidade, promovendo experiências que extrapolam os espaços tradicionais de apresentação.
A programação será distribuída por diversos equipamentos culturais, entre eles os teatros municipais Humberto Sinibaldi Neto, Paulo Moura e Nelson Castro, além do Teatro do Colégio Santo André, Teatro e Ginásio do Sesc, Auditório do Senac, SESI – Espaço Flamboyant, SWIFT – Auditório, Rolê e Área Externa. Também receberão atividades o CEU das Artes, o Anfiteatro Nelson Castro (Represa), o Parque Olinda Tarraf, a Cidade da Criança e a Casa de Cultura Dinorath do Valle.
O festival ainda chegará às praças Rui Barbosa, Dom José Marcondes, da Matriz de Engenheiro Schmitt e da Matriz de Talhado, além da Favela Marte e dos Núcleos Santa Catarina, Vila Azul, Alvorada e Santa Clara, ampliando a circulação das artes cênicas por diferentes territórios do município.
Planejamento para ocupar novos espaços
Levar espetáculos profissionais para ambientes abertos exige um trabalho técnico detalhado. Antes do início da programação, equipes do FIT realizam visitas aos locais para avaliar infraestrutura, acessibilidade, fornecimento de energia, possibilidades de montagem e circulação do público.
Segundo Xico Mendes, um dos coordenadores técnicos do festival, o processo começa antes mesmo da definição dos espaços.
"Primeiro, antes mesmo de visitar os espaços, a primeira informação que recebemos da curadoria são os espetáculos. Depois, vamos definindo ou até realocando cada montagem conforme as necessidades de cada espetáculo e do espaço onde ele será apresentado."
Cada produção é analisada individualmente para que as características do local estejam alinhadas às necessidades artísticas e técnicas da montagem, preservando a experiência concebida pelos grupos, mesmo quando apresentada em ruas, praças ou outros ambientes urbanos.
Para Luis Fernando, também coordenador técnico do FIT, esse cuidado é uma das marcas do festival.
"Diferentemente de outros grandes eventos realizados na cidade, a coordenação técnica do FIT tem como prioridade viabilizar a visão conceitual de cada edição do festival. Esse compromisso sempre foi um dos grandes diferenciais do evento, consolidando-o como uma referência no cenário artístico e cultural brasileiro."
Cultura mais próxima das pessoas
A ocupação de diferentes regiões da cidade faz parte da identidade do FIT desde suas primeiras edições. Ao descentralizar a programação, o festival amplia o alcance das artes cênicas e cria oportunidades para que novos públicos tenham contato com produções nacionais e internacionais.
A acessibilidade também integra esse planejamento. As equipes especializadas realizam inspeções nos espaços para identificar barreiras e propor adaptações que garantam conforto, autonomia e segurança ao público.
"Para isso, a equipe de acessibilidade realiza visitas técnicas aos locais, identificando possíveis barreiras e propondo adaptações que favoreçam a circulação, a orientação e a permanência das pessoas com deficiência. Também trabalhamos em diálogo com a organização do festival para garantir rotas acessíveis, áreas reservadas para o público com deficiência e seus acompanhantes, além de recursos de comunicação acessível", explica Milena Bertoni, coordenadora de acessibilidade do FIT.
O compromisso com a inclusão também é reforçado pelo Sesc São Paulo.
"O Sesc São Paulo promove a acessibilidade como um direito cultural fundamental, garantindo que pessoas com deficiência participem plenamente de suas ações. Por meio de recursos como a Libras e a audiodescrição, o Sesc atua com ênfase na acessibilidade como prática contínua de equidade, criação e reconhecimento da diversidade de corpos e formas de experimentar a cultura", afirma Ligia Zamaro, especialista em programação de acessibilidade da Gerência de Educação para Sustentabilidade e Cidadania do Sesc SP.
Ao transformar ruas, praças e espaços públicos em palcos, o FIT Rio Preto reafirma sua vocação de democratizar o acesso às artes cênicas, aproximando a cultura do cotidiano e fazendo da cidade um grande espaço de convivência, criação e compartilhamento artístico.
Foto: Léo Pinheiro.
